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Sem contextoVerificado em 9 de setembro de 2026
A afirmação checada

“A comida subiu 4x mais no governo anterior do que no atual.”

Correto no dado, enganoso na causa: omite o ciclo global de alimentos

A prova

A peça compara 13,2% de inflação de alimentos ao ano na janela anterior com 3,0% ao ano na atual, e conclui: “a comida subiu 4x mais no governo Bolsonaro”.

A peça compara 13,2% de inflação de alimentos ao ano na janela anterior com 3,0% ao ano na atual, e conclui: “a comida subiu 4x mais no governo Bolsonaro”.
Trecho da peça original, como arquivado em 9 de setembro de 2026. A imagem está em português porque é a página checada. Ver a página inteira no Internet Archive ↗
Bloco 1 · Inflação de alimentos

A comida subiu no mundo inteiro — e depois cedeu no mundo inteiro.

O site abre com o número mais forte da peça: 13,2% de inflação de alimentos ao ano na janela anterior contra 3,0% ao ano na atual. "Quatro vezes mais cara." O dado do IPCA está correto. A pergunta que ele não responde é: quatro vezes mais cara por causa de quem?

A narrativa

"A comida subiu 4x mais no governo Bolsonaro."

Alimentação no domicílio, IPCA/IBGE Tabela 7060, três anos e meio de cada governo. 54,24% contra 13,66% no acumulado.

O contexto exato

Três choques externos couberam inteiros na primeira janela.

1. Pandemia e colapso logístico (2020-2021). Frete marítimo multiplicado, quebra de cadeias de suprimento e demanda represada empurraram alimentos no mundo todo.

2. Guerra na Ucrânia (fev/2022). Rússia e Ucrânia respondiam por cerca de 27% das exportações mundiais de trigo e mais da metade do óleo de girassol. O índice global da FAO bateu o recorde de toda a série em março de 2022.

3. Fertilizantes. O Brasil importa a maior parte do que usa, e Rússia e Belarus são fornecedores centrais. As sanções encareceram o insumo — e o insumo entra no preço da safra seguinte.

+51%
o índice global de alimentos da FAO subiu de 95,1 (2019) a 143,7 (2022) — sem nenhum governo brasileiro no comando
−15%
e recuou de 143,7 (2022) para 122,0 (2024), a maré que a segunda janela pegou a favor
133,3
e voltou a subir: agosto de 2026, o nível mais alto desde o fim de 2022
Veredito

Enganoso por omissão de causa. A diferença entre as duas janelas é em grande parte a diferença entre estar na subida e estar na descida de um ciclo global de commodities. E, como o índice da FAO voltou a subir em 2026, a mesma métrica que hoje é usada como prova de competência pode virar prova de incompetência daqui a alguns meses — sem que nada tenha mudado em Brasília.

Fontes: IBGE/IPCA (Tabela 7060, alimentação no domicílio); FAO — Índice de Preços de Alimentos; FAO/ONU, comunicados de março de 2022 e de setembro de 2026.

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